15 de dezembro de 2019 - 18:40

Agronegócio

04/12/2019 05:31

Cenário de produção de etanol de milho e DDG

Com área plantada em torno de 17,5 milhões de hectares na safra 2018/19, a estimativa de produção é de 99,9 milhões de toneladas, representando um crescimento de 23,9% em relação à safra 2017/18, que fechou em 80,7 milhões de toneladas (Conab, 2019).

Oferta e projeção de etanol

Estima-se que nesta safra, serão produzidos 30,3 bilhões de litros de etanol, dos quais 1,4 bilhão será fabricado a partir do milho, frente a 880 milhões de litros produzidos em 2018.

Essa produção representa de 4% a 5% do total e, poderá alcançar 8% em 2020, e 20% nos próximos 10 anos. (Datagro – 19ª Conferência Internacional Sobre Açúcar e Etanol).

A produção de etanol a partir do milho tem sido vista positivamente pelo potencial de crescimento em termos de mercado, e também por ser uma opção de escoamento da produção em regiões onde notoriamente, por falta de estradas e armazéns, os preços são relativamente baixos.

Mato Grosso

O estado com maior potencial de produção de etanol de milho é o Mato Grosso. Em 2018 a produção foi de 660 milhões de litros (75% da produção nacional).

A produtividade das lavouras de milho está aumentando, saindo de 99,6 sacas/ha para os atuais 110,68 sacas/ha.

A expectativa é de que a produção mato-grossense alcance 32,26 milhões de toneladas, incremento de 14,15% em relação à safra passada (IMEA).

A projeção é que o estado produza 1,1 bilhão de litros na próxima safra (CONAB).

Outro dado importante, segundo o presidente do SindAlcool/MT, é que o etanol de milho deve superar o de etanol de cana em função do tamanho da produção do grão.

Para sustentar esse crescimento, novas usinas estão em construção, em Sorriso e Campo Novo do Parecis, que devem entrar em operação no ano que vem.

Para 2021, mais cinco novas plantas começarão a operar no estado.

Com o sucesso das primeiras usinas, ficou evidente a viabilidade da produção de etanol a partir do milho como matéria prima.

O grão pode ser armazenado, é fácil de transportar e fornece, em seu processo industrial, derivados comercializáveis como o DDG (grão de milho seco), o WDG (grão de milho úmido) e o óleo de milho.

Outro ponto importante é a possibilidade das usinas flex utilizarem o milho na entressafra da cana-de-açúcar, assim é possível diminuir a ociosidade e reduzir os custos fixos, diluídos devido a otimização da utilização do maquinário e da mão-de-obra.

A produção de etanol a partir do milho é mais uma opção no mercado.

Um dos gargalos é a dificuldade de logística, já que o combustível precisa chegar com preço competitivo na bomba.

Segundo a União Nacional do Etanol de Milho, tendo em vista o crescimento da produção, a entidade espera que os investimentos em infraestrutura, como na BR-163 e em ferrovias, principalmente no Eixo Norte, se concretizem para consolidar o escoamento da produção, para o mercado interno e externo.

Em longo prazo, a expectativa é de que, com o aumento crescente na produção de milho, o setor até 2028, processe de 17 a 20 milhões de toneladas de cereal, chegando a uma produção em torno de 7 a 8 bilhões de litros.

DDG e WDG

Os resíduos da produção do etanol de milho, DDG e WDG, podem ser utilizados como fonte de energia e proteína para bovinos, podendo ser um substituto do farelo da soja, farelo de algodão e caroço de algodão na dieta dos animais, dependendo dos níveis de inclusão.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na primeira quinzena de novembro, o DDG foi comercializado entre R$546,88 e R$875,00 por tonelada, sem o frete, considerando os preços convertidos para uma média de 35% de proteína bruta (PB) no caso do DDG e 30% de PB para o WDG ( as concentrações encontradas variaram entre 32 e 40% de PB) .

Para o WDG, a cotação média variou de R$120,00 a R$200,00 por tonelada, seu valor mais baixo de mercado é devido à concentração de água no produto, resultando em menor tempo de armazenamento, impactando assim no transporte, sendo inviável o seu uso em propriedades distantes das usinas.

Em relação às outras fontes de proteínas, o DDG e o WDG são alternativas para diminuir o custo da alimentação dos bovinos.

Em uma comparação do preço do quilo de proteína bruta (PB) na matéria seca, o DDG está custando 29,8% a menos em relação ao farelo de soja. Lembrando que estamos falando de dietas de bovinos de corte, onde para essa substituição pode ser de até 100% na dieta, sem efeitos negativos.

Na tabela 1, presentamos os preços do DDG e WDG (preços médios de Mato Grosso e Goiás), e um comparativo com outros alimentos concentrados proteicos.

Tabela 1.
Preços médios de DDG e WDG em Mato Grosso e Goiás, e um comparativo com outros alimentos concentrados proteicos . Referência: 2a. Quinzena de novembro/19.

*Preços referentes a MT e GO, sem o frete.

Obs.: Para fora do estado o ICMS é de 4,8%
Os preços foram convertidos para uma média de 35% de PB no caso do DDG e 30% para o WDG.

Com relação a disponibilidade, a oferta de DDG até a primeira quinzena dezembro já está comprometida, podendo ser realizada compras ou contratos para entrega a partir dessa data. Já para o WDG, há disponibilidade no mercado.

Os subprodutos de destilaria utilizados como fonte de alimentos para os bovinos são uma excelente estratégia para diminuição de custos no confinamento, visto que podem ser inclusos na dieta.

A Scot Consultoria monitora esse mercado rotineiramente.


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