15 de setembro de 2019 - 23:23

Economia

28/08/2019 15:24

SER Mulher atende bairro Pedra 90 com ações de combate à violência doméstica

Idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, o programa SER Mulher está sustentado em três grandes pilares: Superação, Esperança e Respeito e englobam ações de combate à violência doméstica até cursos de qualificação e empreendedorismo

Vívian Lessa/Pamela Muramatsu | Setasc-MT 

- Foto por: Caroline De Vita
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A região do Pedra 90, em Cuiabá, recebeu nesta terça-feira (27.08) a primeira ação do programa SER Mulher, sustentado em três grandes pilares: Superação, Esperança e Respeito. Mulheres, crianças e adolescentes participaram de uma extensa programação preparada especialmente para o Agosto Lilás, mês alusivo ao combate à violência domésticas e familiar. 

O evento, realizado na Escola Estadual Malik Didier, foi coordenado pela primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, e organizado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), em parceria com a coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça, desembargadora Maria Erotides Kneip.

Ao longo dos seus 72 anos, Dona Neide da Silva já presenciou vários tipos de violações cometidas contra mulheres. Ela mora há mais de 24 anos no Pedra 90, um dos bairros que registram alto incidência de violência doméstica, segundo estatísticas da Secretaria de Estado de Segurança Pública. 

Ela foi uma das dezenas de mulheres que participaram da palestra proferida pela juíza da 1ª Vara Especializada da Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá, Ana Graziela Vaz de Campos Alves, que abordou vários aspectos da Lei Maria da Penha e os tipos de violência, além dos mecanismos de denúncia e combate. 

A programação do evento incluiu ainda atividades para as crianças com o "Círculo da Paz", que é coordenado pela equipe psicossocial do Tribunal de Justiça e trabalha de maneira lúdica com o tema da violência doméstica.

O público feminino também pode conferir serviços oferecidos pelo Senac, Instituto Galvan, Natura, Hinode e Tecnovida. E também houve sorteio de brindes, ofertados por alguns empresários e comerciantes do Pedra 90.

No ônibus lilás foram disponibilizados atendimentos psicossociais e jurídicos. A própria desembargadora Maria Erotides Kneip realizou os atendimentos jurídicos. Os veículos são equipados com salas climatizadas.

A primeira-dama Virginia Mendes ressaltou a importância das ações de conscientização sobre o combate à violência doméstica nos bairros e municípios do interior.

“Esse contato é essencial, pois hoje aqui pude ouvir alguns relatos e depoimentos que mostram o quanto a violência doméstica desestrutura uma família e o quanto nós, mulheres, precisamos nos unir e somar forças para combater todo tipo de violência. Só assim conseguiremos quebrar o ciclo da violência. Estou muito feliz em estar ao lado da desembargadora Maria Erotides Kneip em mais esta ação em favor das mulheres”, destacou a primeira-dama.

Além das ações itinerantes com os ônibus, a primeira-dama também está empenhada na implantação da primeira delegacia 24 horas de atendimento à violência doméstica e familiar.

“Sabemos que boa parte das agressões ocorrem em horários em que normalmente não há muita opção para a vítima pedir ajuda, como tarde da noite e aos finais de semana. A delegacia 24 horas, que será lançada em setembro, virá para cobrir essa lacuna”, ressaltou Virginia. 

Para a desembargadora Maria Erotides Kneip, o alinhamento entre os poderes traz bons resultados, como a realização desta ação.

“O Executivo deve trabalhar na prevenção e no atendimento as vítimas. O Judiciário deve evitar que as causas aconteçam e levar a justiça quando os casos acontecem. A justiça deve estar próxima do problema, próxima da comunidade. Quando uma mulher sofre uma agressão todas nós morremos um pouquinho e devemos nos unir para enfrentar este problema”, pontuou.  

A secretária de Trabalho, Assistência Social e Cidadania, Rosamaria Carvalho, reforçou que as ações do SER Mulher serão sempre alinhadas nos pilares da Superação, da Esperança e do Respeito.

"A intenção é despertar na mulher a força para superar os obstáculos e ter de volta a dignidade, respeito e igualdade perante todos. Também será trabalho, por meio do SER Mulher, ações de qualificação profissional e outras iniciativas de empoderamento feminino", informou.

A secretária de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, lembrou que além das mulheres que foram vítimas, é preciso um olhar atento para as crianças que convivem com a situação.

“A importância da conscientização e da informação deve acontecer desde a educação infantil. A valorização da mulher na sociedade é algo que precisa ser trabalhado desde cedo e só por meio de ações como esta é que conseguiremos transformar esta triste realidade e quebrar o ciclo da violência”. 

A desembargadora aposentada Shelma Lombardi de Kato, que foi a primeira mulher a ocupar o cargo de juíza no Brasil e pioneira na defesa dos direitos da mulher, dos direitos humanos e dos mais vulneráveis, disse da necessidade de se quebrar a cultura da violência e construir a do amor e do respeito. “É algo complexo, mas não é impossível”, destacou durante o evento.

De acordo com a empresária Margareth Buzetti, também pioneira, pois é a primeira mulher a assumir a presidência da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá, a defesa e garantia dos direitos das mulheres é uma ação conjunta, de responsabilidade de toda a sociedade.

“Precisamos exigir de todos, da família, dos maridos, dos companheiros, nas relações de trabalho essa igualdade. Temos diferenças biológicas com os homens, mas somos iguais nos direitos e nos deveres”. 

Estiveram também no evento a ex-deputada federal Teté Bezerra, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) de Cuiabá, Rosana Leite, a secretária adjunta de Direitos Humanos da Setasc, Salete Morockoski, a secretária adjunta de Cidadania, Rosi Porcionato e outras lideranças femininas no bairro.


Números

Conforme levantamento da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEAC) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), no período de janeiro a junho deste ano, somam 44 homicídios dolosos registrados contra vítimas femininas em Mato Grosso.

Desses, 21 deles foram identificados como feminicídios. As ocorrências de feminicídios correspondem a 48% das mortes registradas de vítimas femininas no estado. Os dados são compilados com base no Sistema de Registro de Ocorrências Policiais (SROP) e informações fornecidas por unidades da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT).


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