14 de novembro de 2018 - 05:00

Educação

06/11/2018 10:13

Bióloga busca facilitar o acesso à leitura por meio da doação de livros

Com o gesto simples, Luciana espera incentivar outras pessoas a também contribuírem para a construção de uma cidade melhor

BRUNO VICENTE 

Luiz Alves

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Foi a partir do incentivo de uma professora, quando ainda cursava o ensino médio, que a bióloga Luciana da Silva Estevam, de 35 anos, aflorou sua paixão pela leitura. Hoje, com uma coleção de mais de 100 livros em sua estante, a cuiabana busca seguir o exemplo que ficou marcado em sua memória e, assim com a educadora, quer oportunizar que outras pessoas tenham o acesso facilitado a exemplares dos mais variados temas.

Pensando dessa forma, Luciana viu em uma campanha voluntária que circulava nas redes sociais a conjuntura perfeita para colocar em prática seu desejo. Com uma pequena cesta nas mãos, escolheu cerca de 25 livros e decidiu que era o momento de repassá-los adiante. No entanto, para efetuar esse processo ela não poderia deixá-los em qualquer lugar. Era necessário encontrar um espaço adequado, tanto para a acomodação dos livros quanto para o fácil alcance da população.

Foi então que, no caminho entre a residência e o trabalho, a bióloga notou que o novo modelo de embarque e desembarque de passageiros, edificado pela Prefeitura de Cuiabá na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Av. do CPA), possuía um espaço voltado especificamente para este fim. Com o findar do expediente, Luciana não teve dúvidas: colocou a cesta de livros no carro, levou-os até a inovadora estrutura e, um a um, organizou os exemplares nas prateleiras.

“Na infância, não era possível ter uma rotina constante de leitura. Tinha que passar uma manhã em uma biblioteca no centro, para poder ter acesso aos livros, pois não podia levá-los para casa. A partir do momento que comecei a trabalhar, passei a comprar os meus. No entanto, assim como já aconteceu comigo, existem pessoas que não têm essa mesma condição. Então, vi a biblioteca no ponto de ônibus e resolvi disponibilizá-los. Já tinha lido todos e percebi que poderiam ser aproveitados por outros. E foi realmente isso que aconteceu, no outro dia quando passei todos tinham novos donos”, conta.

Com um estilo de leitura variado, a cuiabana conta que em sua primeira doação colocou nas prateleiras da estrutura, obras de cunho didático que poderiam ser aproveitadas para pessoas interessadas em concursos ou que estivessem cursando faculdade. Uma semana depois, Luciana repetiu o gesto e, desta vez, optou por colocar mais 30 livros, fazendo um misto entre didáticos e literatura. Segundo ela, a ideia é fazer com que um público diversificado seja atingido pelo gesto.

Para isso, além do livro Agora Estou Sozinha, de Pedro Bandeira, eleito seu favorito, Luciana doou títulos como Espinhos do Tempo, de Zíbia Gasparetto, e a Morte de Quincas Berro d'Água, de Jorge Amado, Marley & Eu, de John Grogan, e uma coleção completa da área de administração, publicada pela Universidade de Harvard. Com esta ação simples, ela salienta que espera incentivar que novas pessoas também deem sua parcela de contribuição para construção de uma cidade melhor.

“A Prefeitura de Cuiabá está de parabéns por essa iniciativa e torço para que mais espaços como este sejam disponibilizados pela cidade. Sei que existem as mídias digitais, que permitem baixar livros no computador, mas ainda é prazeroso ter um livro na mão. Além de tudo, esse é apenas um exemplo daquilo que podemos fazer para ajudar o próximo. Acredito que podemos nos dedicar a uma infinidade de coisas. Por exemplo, doar parte do nosso tempo para um trabalho voluntário. São ações que não terão um custo elevado e que se tornam prazerosas de fazer”, pontua Luciana.  

Novos abrigos

A estrutura instalada no ponto de embarque e desembarque da Avenida do CPA é um exemplo dos novos abrigos que serão distribuídos em 82 espaços, onde o fluxo de passageiros varia em uma média de 5 a 10 mil pessoas por dia. Por meio de um minucioso trabalho de restauração, os contêineres metálicos, que antes seriam descartadas, ganham uma nova finalidade com a garantia de pelo menos mais 15 anos de vida útil.

Todos os pontos serão construídos por meio do processo de chamamento público, no qual a iniciativa privada é incentivada a aderir à política denominada “adote um abrigo”. Com essa dinâmica, empresas conquistam o direito legal de explorar o espaço com o uso de publicidade, à medida que também assumem a responsabilidade de zelar pelo lugar, com as devidas manutenções necessárias. Com o prazo mínimo de cinco anos para exploração, é possível que esse período seja prolongado, conforme a legalidade dos trâmites institucionais.

Neste primeiro ponto, especificamente, o projeto é custeado pelo Pantanal Shopping, que investiu aproximadamente R$ 70 mil. Além da biblioteca, o abrigo está equipado com placas solares, que asseguram uma boa luminosidade a qualquer hora do dia, e pontos de USB para recarga de celulares. O inovador conceito conta ainda com espaço para idosos, cadeirantes, gestantes e obesos, com rampa de acesso nas normas exigidas, e também com a presença de jardins suspensos.

 

 

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