As Mulheres Quilombolas da Comunidade Mata Cavalo de Cima e comunidades quilombolas circunvizinhos – Território do Mata Cavalo, consideram positivos os resultados do Muxirum dos Saberes Tradicionais das Quilombolas.
O coletivo das quilombolas do Mata Cavalo de Cima, em Nossa Senhora do Livramento, a 42 quilômetros de Cuiabá, em parceria com a SECEL-MT - Secretaria de Estado Cultura Esporte e Lazer, pelo “MT Nascente,” com o projeto: Muxirum dos Saberes Tradicionais das Mulheres do Quilombo Mata Cavalo de Cima, as oficinas ocorrerão de 18 de Setembro a 20 de novembro.
Já foram realizadas as seguintes oficinas: capoeira com a facilitadora Elizabete Espirito Santo com colaboração do capoeirista Aparecido; fabricação de doces caseiro com a oficineira Anísia Ferreira de Jesus Silva, com auxílio de Narcisa Ferreira da Silva; a fabricação de óleo de mamona e óleo de coco babaçu, teve como oficineiro Junior, com cooperação de Ylidia Maria dos Santos. O artesanato com folha de babaçu foi ensinado pela facilitadora Leonice Rosa da Silva. A modelagem de peças e acessórios de barro foi com a ceramista Leonice do Espírito Santo. O corte e costura foi ministrado por Maria Helena da Silva e Souza Costa.
Em outubro haverá oficinas de: bijuterias; ervas medicinais e rezas; musicalização com a viola de cocho e ganzá, dança de siriri e capoeira. No dia da Consciência Negra (20-11) será concluído o projeto com exposição e venda dos produtos confeccionados na realização das oficinas.

A líder quilombola Laura Ferreira da Silva menciona a importância da realização das oficinas, para o bem viver quilombola, onde, os saberes e fazeres são fundamentais dentro do processo, além de dar visibilidade e o fortalecimento da comunidade. E todas as atividades, visa contribuir na complementação da renda familiar, na medida que as pessoas coloquem em prática todos os conhecimentos adquiridos com as oficinas.
Para a oficineira de corte e costura Maria Helena da Silva, de 49 anos: “a confecção dos turbantes ė importante para resgatar a cultura e origem das mulheres quilombolas. E as sacolas retornáveis protegem o meio ambiente, evitando uso de plástico. Trabalhando em casa, com máquina simples, os produtos como sacolas e turbantes podem ser vendidos. Gerando trabalho e renda. Levei conhecimento, mas houve troca de aprendizagem. Agora na prática, já estão criando novos modelos, expressando criatividade, exercitando independência. Fiquei feliz de estar com elas”.

Maria Helena, de origem quilombola, observa experiência positiva das oficinas, pois o trabalho coletivo fortalece e une a associação de mulheres. Vê novas oportunidades surgindo para o grupo: “Também sou da origem Quilombola, aqui do Mata Cavalo e após minha mãe, sou daquarta geração, aprendi amar, cuidar, ter carinho por este povo. Estou feliz por ter levado o conhecimento. Se houver dedicação surgirá uma profissional. Para mim uma benção, poder compartilhar minha técnica e creio com gratidão que o tempo trará oportunidade de outras oficinas.”
A artista e ceramista Leonice do Espirito Santo ensinou modelagem em cerâmica no Mata Cavalo de Cima. Onde: ‘fizemos peças do cotidiano: xícaras, bule, moringa, panelas e pequenos potes. Uma iniciação na cerâmica e com a prática se torna ofício com renda familiar. Ensinamos o básico e cada aprendiz vai na prática diária buscar o aperfeiçoamento.”

Leonice descobriu que na área quilombola existe variedade de argila, a matéria prima da cerâmica: “é que não precisarão comprar por que cada uma encontra em sua propriedade. A professora observa que ensinando o mesmo processo de forma igual a todas, o produto final nunca é igual porque no contato com o barro se resgata uma memória ancestral.”
Para a professora quilombola Lemarcia Ferreira da Silva a importância das oficinas no quilombo Mata Cavalo de Cima: “é uma oportunidade em desenvolver um aprendizado contínuo. As oficinas possibilitam a ampliação de conhecimentos, práticas e saberes quilombolas; exercitar a mente e o bem estar das mulheres quilombolas, oportunizando novos desenvolvimentos; promove o conviver em coletividade, aumentando a auto estima, confiança e desejo em colocar em prática os novos saberes. Reafirmando nossa sobrevivência (lutas e resistências) e sustento. Conviver em oficinas de aprendizado, é experiência e inovação de empoderamento.

As professoras do evento relatam o contentamento das aprendizes em se verem como agentes produtivos em uma sociedade competitiva e monetarizada, onde o poder financeiro abre oportunidades de crescimento para elas e seus descendentes.













