Laura Leventi representa a força da mulher .

Cultura 06/09/2022 22:45

 Laura Leventi, veio para Cuiabá, em 1989, pelas graças do Santa Helena, dali seguiu com a sua mãe, e o pai que após três anos abandona o lar. Mãe solo, a negra Rosana Mary, nunca desistiu da filha, dando-lhe toda dedicação e suporte, ajuda, educação, exemplo. Em uma palavra: amando. 

No Sesi, foi alfabetizada, para onde chegava impecável, no horário, com os deveres de casa em dia, pois o amor da mãe era também manifesto na forma de disciplina. Posteriormente foi para Emeb “Senador Darci Ribeiro”, no Bairro Jardim Industriário I. Embora brincando na rua, com os primos, Rosana Mary não ‘desgrudava o olho’ de sua cria.
O bullyng, registrado na década de 70, pelo professor Dan Olweus, da Noruega, após uma pesquisa com 84 mil alunos e 400 professores, não era percebido como uma pratica abusiva, aética ou cruel, mas como parte do desenvolvimento infantil. Laura, contudo, sentia em sua pele negra e no corpo gordo, a dor da exclusão social, onde com atitudes psicológicas sutis, a vítima é cancelada do convívio social, na sala de aula e nas brincadeiras de grupo. 
Hoje as agressões físicas ou de linguagem, são detectadas como instrumentos de exclusão e crueldade, merecendo a atenção de educadores, pais e pedagogos, como um comportamento antiético, que deve ser enfrentado com práticas coletivas, onde cada um se veja no lugar do outro. Enfim, ninguém conhece mais a exclusão e a indiferença social que aquele que a sofreu. Nesta fase pré puberdade, Laura percebe que as meninas brancas e magras são tratadas de modo mais educado e gentil.
Em sua ânsia pelo conhecimento e crescimento próprio estudou na escola Tiradentes da Polícia Militar de Mato Grosso, e depois morou um ano fora. 
Com o adoecimento de D. Rosana Mary, onde uma infecção de garganta, tirou-lhe a vida, veio a perceber que os serviços públicos não faziam o que a Lei lhes determinava. 
Mesmo em luto pela perda da mãe, Laura vai viver com a avó Oscarlina, a quem todos chamavam de mãe Oscar, fazendo vestibular no Instituto Federal, onde foi cursar Técnico em Alimentos. Trabalhando como merendeira para a Prefeitura de Cuiabá, conseguiu ser Técnica de Nível Superior em Gastronomia, sendo a Gastronoma do Município, que lhe proporcionou condições de fazer Pós Graduação em Chefe de Cozinha Brasileira. 
Em seu aprimoramento profissional, buscou no empreendedorismo, o caminho para sua realização mais plena. Abriu seu próprio negócio (Dogão da Cheff, no Jardim Imperial) onde é ajudada pelo maridão Robert, pois além dos gêmeos Argon e Gael, o terceiro filho Romeo, já chegou, animando ainda mais seu espírito de crescer num pais mais justo e com direitos iguais. Hoje Laura Leventi busca uma cadeira na Assembleia, para defesa da mulher, da mãe e das empreendedoras de nossa terra.
O transtorno do espectro autista, que se manifestou em Argon e Gael, foi um estimulante desafio para esta cuiabana, que não encontrou uma legislação ou cuidados da Saúde Pública que abrisse o campo das oportunidades para seus portadores. As escolas públicas e particulares não se mobilizam adequadamente para solucionar ou minimizar as dificuldades sociais e educacionais de crianças com esta síndrome. Que faz uma mãe quando não encontra o que seus filhos precisam? Vai à luta, por mais direitos, mais atenção, mais adequações sociais e educacionais para seus filhos. Está a meta de Laura quando tiver seu lugar no Legislativo.
Pessoas portadoras de deficiência, idosos, obesos, portadores de doenças crônicas, com ênfase na juventude e mulheres negras, pois é a única candidata das mães e pretas.