Documentário mostra luta dos índios Guarani Kaiowá por suas terras

Cultura Cinema 25/07/2026 07:21 Mariane Chianezi, Primeira Página primeirapagina.com.br

O documentário 'Martírio', do diretor Vincent Carelli, será exibido no festival Bonito Cinesur. O filme, feito ao longo de quase 30 anos, mostra a história da briga dos índios Guarani Kaiowá para recuperar as terras que eram deles em Mato Grosso do Sul.

Um dos principais documentários sobre a questão indígena no Brasil faz parte da programação da 4ª edição do Bonito Cinesur Festival de Cinema Sul-Americano. 'Martírio', dirigido por Vincent Carelli, será exibido durante o evento, mostrando ao público a história da luta dos Guarani Kaiowá para recuperar suas terras tradicionais em Mato Grosso do Sul.

  • O documentário levou 28 anos para ser feito, de 1988 a 2016.
  • Ele mostra um dos maiores conflitos por terra envolvendo índios no Brasil.
  • O filme será exibido em Bonito (MS), perto das comunidades retratadas.
  • O diretor diz que o cinema ajuda a preservar a memória e a entender a origem dos problemas.
  • Mesmo com o filme, a violência contra os índios continua acontecendo.

Produzido entre 1988 e 2016, o filme reúne quase três décadas de gravações sobre os conflitos por terra envolvendo o povo indígena e é considerado uma das principais obras do cinema brasileiro sobre direitos indígenas.

Para Carelli, exibir o filme em Bonito, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai e perto das comunidades retratadas na obra, tem um significado especial. 'É um filme que comecei a fazer em 1988 e terminei em 2016. Mostra o maior genocídio brasileiro dos dias de hoje e faz uma reconstrução histórica desse processo', afirmou.

Cinema como ferramenta de reflexão

Segundo o documentarista, embora o filme tenha ajudado a aumentar o conhecimento da sociedade sobre a realidade vivida pelos Guarani Kaiowá, a violência contra os povos indígenas ainda continua. 'Martírio foi importante para levar essa história às salas de cinema, mas o triste é ver que muita coisa não mudou. Houve assassinatos horríveis no ano passado. Pelo menos o Brasil ficou mais sabendo do que acontece', disse.

Carelli acredita que uma das principais funções do cinema documental é preservar a memória e ajudar a entender a origem dos conflitos sociais. 'É fundamental fazer essa reconstrução histórica. É entendendo esse processo que a gente compreende a legitimidade dessa luta', destacou.

Obra resgata as origens do conflito

Durante a entrevista, o diretor explicou que o documentário também busca mostrar como decisões tomadas ao longo do século passado contribuíram para a perda dos territórios indígenas em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o filme mostra o contexto histórico da ocupação das terras e das políticas que favoreceram sua distribuição, deixando os povos originários sem o reconhecimento de seus direitos territoriais.

Ao levar 'Martírio' para a programação do Bonito Cinesur, o festival reforça sua proposta de promover debates que vão além do entretenimento e usam o cinema como ferramenta de reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais da América do Sul.