Correios perdem R$ 3,2 bilhões em 3 meses e crise financeira piora

Economia Prejuízo 02/06/2026 09:06 Ana Julia Pereira primeirapagina.com.br

Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 3,16 bilhões nos primeiros três meses de 2026, um aumento de 82% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa está com sérios problemas financeiros, gastando mais do que arrecada, e espera se recuperar só a partir de 2027.

Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 no vermelho e ampliaram o prejuízo em relação ao mesmo período do ano passado. A estatal registrou perda líquida de R$ 3,16 bilhões entre janeiro e março, valor 82,3% maior que o prejuízo de R$ 1,72 bilhão registrado no 1º trimestre de 2025.

O resultado mostra que a empresa segue pressionada financeiramente, mesmo após o início de um plano de reestruturação. Em 2025, os Correios já haviam acumulado prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o pior desempenho da história da companhia.

  • Prejuízo gigante: Em apenas três meses, os Correios perderam R$ 3,16 bilhões, valor 82% maior que no mesmo período de 2025.
  • Recorde negativo: Em 2025, a empresa já tinha tido o pior prejuízo da história: R$ 8,5 bilhões.
  • Mais processos trabalhistas: A empresa teve que reservar R$ 1,06 bilhão para cobrir possíveis perdas em ações na Justiça.
  • Queda nas encomendas: O principal negócio dos Correios, que são as entregas de pacotes, caiu 5,5%, gerando menos dinheiro.
  • Dívida alta: As despesas com juros de empréstimos saltaram 248%, chegando a R$ 985 milhões no trimestre.

Segundo a estatal, o rombo foi provocado por uma combinação de fatores, entre eles a queda nas receitas, o aumento das despesas financeiras e a revisão das provisões para processos judiciais.

Um dos principais impactos no balanço foi o reconhecimento de uma provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a ações trabalhistas. Na prática, esse valor funciona como uma reserva contábil feita pela empresa para cobrir possíveis perdas em processos que ainda estão em andamento na Justiça.

Com a atualização, o total reservado pelos Correios para contingências judiciais subiu de R$ 3,6 bilhões, no fim de 2025, para R$ 4,66 bilhões em março de 2026. A reclassificação desses passivos já vinha sendo defendida por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU).

Receitas em queda e concorrência apertada

A receita dos Correios também caiu nos primeiros meses do ano. A estatal registrou receita bruta de R$ 4,04 bilhões, queda de 2,2% em relação ao 1º trimestre de 2025.

O segmento de encomendas, principal fonte de faturamento da empresa, somou R$ 2,2 bilhões, recuo de 5,5%. Já as postagens internacionais tiveram queda ainda mais acentuada, com receita de R$ 156 milhões, redução de 60,3%.

Na contramão, o serviço de mensagens, que inclui cartas e documentos, teve crescimento de 11,4%, chegando a R$ 1,2 bilhão. Outras receitas também avançaram 48%, para R$ 465 milhões.

A queda em áreas importantes ocorre em meio ao avanço da concorrência no setor de logística e à redução da demanda por serviços postais tradicionais.

Cortes de gastos e dívidas crescendo

Apesar do prejuízo, os Correios conseguiram reduzir parte dos custos operacionais. Os custos de produtos e serviços passaram de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões, queda de 7,6%. As despesas com pessoal também diminuíram, de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões, redução de 4,1%.

Segundo a estatal, o Programa de Demissão Voluntária (PDV), implantado em 2024, contribuiu para a diminuição dos gastos com pessoal. Mesmo assim, a economia não foi suficiente para compensar o aumento das despesas financeiras e judiciais.

As despesas financeiras foram um dos fatores que mais pesaram no resultado. O valor saltou de R$ 283 milhões, no 1º trimestre de 2025, para R$ 985 milhões no mesmo período deste ano, uma alta de 248%.

O aumento está ligado aos financiamentos contratados pela estatal para reforçar o caixa e sustentar o plano de recuperação financeira. Em 2025, os Correios também contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia da União, para regularizar passivos e financiar parte da reorganização.

Outro dado que chama atenção é o aumento das indenizações pagas a clientes por atraso na entrega de encomendas. Em março de 2025, esse valor era de R$ 2 milhões. Em março deste ano, subiu para R$ 30,5 milhões.

O montante é mais de 15 vezes maior e reflete problemas operacionais enfrentados pela estatal, especialmente após a greve de funcionários registrada no fim de 2025.

Plano de recuperação e esperança para 2027

Sob a presidência de Emmanoel Rondon desde setembro de 2025, os Correios executam um plano de reestruturação para tentar recuperar o equilíbrio financeiro. Entre as medidas estão redução de despesas administrativas, revisão de contratos, venda de imóveis sem uso operacional, modernização tecnológica, ajustes logísticos e busca por novas fontes de receita.

Mesmo com o prejuízo líquido, a estatal registrou lucro bruto de R$ 153,4 milhões no trimestre. Esse indicador considera apenas as receitas e os custos diretos da operação, sem incluir despesas administrativas, financeiras, judiciais e impostos.

A meta dos Correios é concluir o processo de reestruturação e voltar a apresentar resultados positivos a partir de 2027. Até lá, o desafio será reduzir o ritmo das perdas e recuperar receita em um mercado cada vez mais competitivo.

Com informações da Agência Brasil.