Uma pesquisa feita pela Serasa Experian mostrou que, após um ano, o valor médio dos empréstimos consignados para trabalhadores com carteira assinada (CLT) caiu de R$ 8.600 para R$ 2.300. Isso representa uma queda de 73%. Embora os bancos estejam oferecendo mais dinheiro, as pessoas estão pegando menos emprestado. A notícia explica como funciona esse tipo de crédito, porque os valores diminuíram e os cuidados que os trabalhadores precisam ter para não se endividarem.
Um ano após o lançamento, o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada mudou bastante. Mesmo com mais dinheiro disponível e mais bancos participando, os valores que as pessoas estão pegando emprestado estão menores. Uma pesquisa inédita da Serasa Experian mostra que o valor médio dos empréstimos caiu 73%, passando de R$ 8.600 para R$ 2.300.
Os juros médios do crédito consignado CLT estão em 3,2% ao mês, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esse valor é mais baixo do que outras opções de crédito, mas ainda assim, em um ano, os juros podem passar de 110%.
- O valor médio do empréstimo caiu de R$ 8.600 para R$ 2.300 em um ano.
- A oferta de crédito cresceu: de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões por mês.
- 76% dos trabalhadores que pegaram o empréstimo têm mais de 81% da renda comprometida com dívidas.
- A inadimplência (quem não paga as contas) subiu de 4,9% para 6,6%.
- A contratação é feita de forma digital, pelo aplicativo da Carteira de Trabalho.
Dados do Banco Central (BC) mostram que o volume total de dinheiro liberado por mês no consignado privado saltou de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões. No total, essa modalidade de crédito passou de R$ 41 bilhões no ano passado para R$ 110 bilhões em março deste ano.
Como funciona a contratação digital
A nova modalidade de crédito consignado permite que funcionários de empresas privadas, trabalhadores domésticos, rurais e Microempreendedores Individuais (MEIs) peçam empréstimos com desconto direto no salário e juros mais baixos. Tudo é feito pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, sem precisar de convênio entre a empresa e o banco. O trabalhador pode comprometer até 35% do seu salário com o pagamento das parcelas.
A pesquisa da Serasa Experian também mostrou que o prazo médio dos contratos caiu 48% e o número de bancos oferecendo o crédito por empresa saltou de 4 para 21. Isso significa mais concorrência e mais opções para o trabalhador. O número de novos contratos também subiu, de 11 mil para mais de 25 mil.
Segundo Délber Lage, CEO da SalaryFits (empresa da Serasa Experian), o primeiro ano do programa mostrou que havia uma grande demanda por crédito entre os trabalhadores CLT, mas que os bancos precisaram se adaptar para atender esse público em um ambiente mais competitivo.
Aumento da inadimplência é preocupante
A pesquisa também trouxe um dado preocupante: 78% dos trabalhadores que contrataram o novo consignado têm mais de 81% da renda comprometida com dívidas. A inadimplência na modalidade subiu de 4,9% para 6,6% entre novembro de 2025 e março de 2026.
Délber alerta que, com mais gente usando o crédito consignado, fica ainda mais importante ter planejamento financeiro para não fazer dívidas que não podem ser pagas.
Em março, o Brasil bateu um novo recorde: 82,8 milhões de pessoas estavam inadimplentes, o que representa cerca de 49% da população adulta. O número de brasileiros com o nome negativado passou de 81 milhões, um aumento de quase 38% nos últimos dez anos. Os maiores vilões do endividamento são o cartão de crédito e as contas de água, luz, gás e telefone.
O estudo também mostrou que 42% dos endividados estão nessa situação há muitos anos. E a adesão ao novo consignado foi maior entre pessoas com menor histórico de crédito: 86% dos empréstimos foram para trabalhadores com score baixo, e apenas 21% tinham pontuação acima de 600.
A Serasa Experian analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado de 88 empresas, com operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.

Dados do Banco Central (BC) mostram que o valor liberado em crédito consignado privado subiu de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões. Foto: Arquivo



