A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) respondeu à ação do Ministério Público Federal (MPF) que tenta impedir o aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%. A entidade afirma que testes técnicos comprovaram a segurança do novo combustível para os veículos brasileiros.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) divulgou uma nota nesta quarta-feira (22) para defender o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32% (E32). A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no dia 14 de julho.
A entidade afirma que a decisão foi baseada em estudos técnicos feitos seguindo a Lei do Combustível do Futuro e coordenados pelo Ministério de Minas e Energia.
- A gasolina comum terá 32% de etanol, em vez dos atuais 27%.
- Testes foram feitos em 16 carros e 13 motos fabricados entre 1994 e 2024.
- Os veículos testados usam apenas gasolina, sem motor flex.
- Os resultados não mostraram problemas de desempenho, consumo ou funcionamento.
- O MPF entrou na Justiça para suspender a mudança, alegando falta de estudos.
A resposta do setor veio depois que o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça, pedindo que a decisão seja suspensa. O MPF alega que não há estudos suficientes que comprovem a segurança do novo combustível para os carros e motos que circulam no Brasil.
Segundo a Unica, o aumento do etanol na gasolina não foi uma decisão tirada do nada. Pelo contrário, foram feitos ensaios específicos para avaliar o efeito do E32 na frota brasileira. Esses testes foram realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia e focaram em veículos leves e motocicletas que usam apenas gasolina, ou seja, que não são flex.
De acordo com a Unica, a forma como os testes foram feitos foi decidida em conjunto com representantes do governo, da indústria de carros e motos, de empresas de combustível, de universidades e de outras entidades do setor. Tudo foi discutido em reuniões e em uma audiência pública.
Foram testados 16 carros e 13 motos que representam bem a frota nacional. Entre os carros, havia modelos fabricados entre 1994 e 2024, todos movidos apenas a gasolina. Os testes analisaram desempenho, consumo, partida a frio, dirigibilidade, aceleração e o funcionamento dos sistemas eletrônicos do motor. A Unica diz que os resultados não mostraram impactos relevantes com o uso do E32.
A entidade afirma que esses estudos deram a base técnica necessária para a decisão do CNPE e que não há autorização para usar porcentagens maiores do que os 32% estabelecidos.
Para a Unica, o E32 é uma escolha boa para a economia, para a energia e para o meio ambiente. Isso porque o etanol é produzido no Brasil, é mais barato que a gasolina importada, polui menos e, segundo os testes, é compatível com a frota avaliada.
Por fim, a Unica destaca que a medida ajuda o Brasil a depender menos das variações do preço do petróleo no mercado internacional, mantém empregos e investimentos na economia brasileira e aumenta o uso de uma fonte de energia renovável nos transportes, algo que já acontece desde 1931.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


