Cine Teatro Cuiabá, abrigou o evento que sinaliza a visibilidade trans, os depoimentos a seguir, mostram o significado para cada participante:
Hend, 28 anos, trans não-binária, cantora, atriz, ativista gorda, servidora pública, na Assembléia Legislativa, comenta sobre o Dia da Visibilidade Trans, aos 29 de janeiro: “foi um marco na vida da comunidade trans de Cuiabá. Foi minha primeira celebração, me entendendo enquanto trans e o momento mais importante do evento, foi ver centenas de pessoas aplaudindo a minha mãe, dona Cimeire durante a minha apresentação. Ela que, com muita paciência e amor, se dispôs a compreender e tornar o meu caminho mais leve”. E conclui: “foi quase uma utopia, ver a comunidade trans de Cuiabá sendo protagonista da noite, junta e fortalecida.”

Para Sophie, 21 anos, cantora e modelo, “O Dia da Visibilidade, para mim foi especial. Naquela noite, inicialmente eu achei que (a sociedade cuiabana) não dariam importância. Mas subir ao palco e ver todas aquelas pessoas dispostas a entender mais sobre a gente; nos ouvir transmitindo nossas vivências, foi demais. Fiquei nervosa por um momento. Foi impressionante. Renovei a esperança de que dias melhores estão por vir.”
E segue falando do atravessamento étnico racial, tão significativo quando o sexual: “para uma mulher Trans negra, geralmente somos invisibilizadas, silenciadas, mas estou gratificada ao ser ouvida e respeitada. É isso que desejo a todas as minorias, todos os dias, não só no dia 29 de Janeiro.
Sophie sonha por mais espaço e idealiza o dia em que os direitos serão respeitados: “Nós estamos aqui, temos talento, voz, capacidade de fazer qualquer coisa como qualquer outro cis. Não vamos nos calar ou aceitar que imponham regras a nós. Que nos próximos dias, meses e anos esse progresso continue e transforme cada pessoa que esteja disposta a conviver conosco, nos incluindo e reconhecendo como parte da mesma sociedade.”

Luisa Nayara Soares Lamar, cantora, atriz, poetisa, compositora e produtora cultural, cuiabana de tchapa e cruz. Diz que: “Dia 29 é uma data que precisa ser discutida, precisa ser celebrada, precisa ser lembrada. Nesta data em Cuiabá pudemos fazer isso pela primeira vez e foi emocionante. Foi impressionante ver outras pessoas trans (e amigxs, principalmente) saindo de suas casas para celebrar os próprios corpos e para prestigiar outras de nós”.
Lamar conclui:“São raras as ocasiões em Cuiabá onde eu, enquanto travesti posso dizer que me sinto segura e respeitada, e dia 29 foi excepcional. Agradeço a todos que estiveram ali e que essa nova geração de travestis e homens trans que estão chegando, superem as expectativas de vida e possam traçar os próprios caminhos sem tantos empecilhos.”

Raphaely, 30 anos, assistente social, atriz e ativista da causa Trans acredita que o Dia da Visibilidade “teve uma importância histórica para Cuiabá e em nossas vidas. Foi um evento maravilhoso, foi lindo ver o Cine Teatro lotado no dia da visibilidade trans”. Os relatos falam de inclusão, visibilidade no mercado de trabalho, de direitos, de cidadania e respeito.
Raphaely finaliza enaltecendo a Linn da Quebrada e ao Kiko Goifman, produtores do documentário Bixa Travesti, mostrando a realidade e vivência na luta pelos direitos das minorias trans “Legal que um evento sobre trans, com platéia lotada de cis, que não participam de nossa realidade, estavam lá nos apoiando. Foi perfeito. Sempre me senti insegura em Cuiabá, mas ontem eu estava plena, a cidade era nossa e soltamos nossos clamores, e os clamores da platéia lotada, apoiando o que é digno: nosso direito de existir.”

Sobre o Documentário Bixa Travesty, Hend exulta “me deparei com pessoas cis, conhecendo nossa realidade, e vendo a ascensão de uma das maiores artistas e representante trans, Linn Da Quebrada, que também inspira artistas como eu’’
Que visibilidade e respeito sejam naturais como viver sendo o que se é.

Dizão Fotografia





















