Musical faz releitura de canções do Santo Daime

Eventos 02/03/2021 20:04

Hinos da doutrina ayahuasqueira cantados e encenados em palco retratam com lirismo única religião genuinamente brasileira

Uma visita ao reino encantado do Daime. Assim pode ser descrito o musical “O Poder da Floresta”, que reúne uma coleção de hinos da doutrina fundada pelo seringalista Raimundo Irineu Serra, na década de 1930 no Acre.

A trinca de sumidades na área artística, formada por Luiz Pita, que responde pela concepção e criação do musical; Jefferson Neves, arranjador musical e o performático Coro Experimental, que interpretará com seu peculiar talento os cânticos, promete colocar o espectador no epicentro do universo daimista.

Os hinos do musical foram canalizados por EgonNord, padrinho e dirigente da Igreja Mestre Irineu, única comunidade da religião em Mato Grosso.

Os cânticos recebidos pelo padrinho Egontrazem em sua essência a nova espiritualidade da Nova Era e a sabedoria da ancestralidade. Ouvidos fora do contexto religioso, algumas dessas canções, tanto pela musicalidade quanto pela mensagem, poderiam muito bem ser executadas pelas emissoras de rádio.

Segundo Luiz Pita, que também dirige o musical, “toda a cenografia, iluminação e figurino foram pensados para fazer com que o espectador se sinta num trabalho espiritual do Daime”.

A soma dos talentos de Jefferson Neves e do Coro Experimental resulta numa viagem introspectiva que inspira o espectador a querer conhecer os mistérios do Universo que traz dentro de si. Além dos hinos, “O Poder da Floresta” tem dramatizações que remetem a toda a simbologia da religião.

O musical tem uma mensagem Universalista e inova com a utilização de elementos locais, como a viola de cocho, ícone máxima da cultura pantaneira.

Até mesmo pelo fato de a Igreja Mestre Irineu estar localizada numa região de exuberante beleza natural e próxima tanto de Chapada dos Guimarães quanto do Pantanal, os hinos recebidos por EgonNord têm uma fortíssima ligação com o amor à Mãe Terra.

A ideia da representação em formato de coral foi justamente para transcender ainda mais o mundo caótico em que vivemos, com vozes de todos os naipes alcançando os tons mais sublimes.

A concepção do cartaz e dos textos que serão lidos durante o espetáculo naturalmente levam os espectadores a esse universo de nova era de harmonia com a natureza e consigo mesmo. Os novos acordes musicais tocarão a alma de quem estiver no teatro. A experiência promete ser única.

 “O Poder da Floresta” é acima de tudo uma obra de arte. Mas é também um afago na alma, uma poesia cantada, uma antecipação do admirável mundo novo prometido à Humanidade.

O projeto musical foi um dos contemplados pelo edital “Nascentes”, lançado pela secretaria estadual de Cultura com recursos da Lei Aldir Blanc.

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DOCUMENTÁRIO

Além do musical, o projeto contempla um vídeo musical documentário, também intitulado “O Poder da Floresta” e mais um álbum contendo todo o musical, gravado ao vivo.  De acordo com Luiz Pita, “o filme teve direção da cineasta mato-grossense Jade Rainho e foi filmado na floresta onde está situada a Igreja Mestre Irineu”.

O documentário traz depoimentos de EgonNord, do maestro e arranjador Jefferson Nunes, além de músicos e cantores. Membros da comunidade daimista falam sobre como a musicalidade da religião auxilia do despertar da expansão da consciência;

Um makingof de um ensaio do coral com músicos será disponibilizado nas plataformas digitais junto com o áudio do espetáculo.

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CANTANDO E COMPREENDENDO

“Cantar é uma forma de compreensão da própria vida”. A sentença, dita pela personagem MaRainey, no filme “A Voz Suprema do Blues”, explica, com a doce malemolência da atriz Viola Davis, como a música é, também, um caminho de autoconhecimento.

Quando aparece na grande mídia, o Santo Daime, ou simplesmente Daime, está geralmente cercado de preconceito e desinformação. Principalmente por ter como principal sacramento a Ayahuasca (“Vinho da Alma” na língua quéchua). A bebida enteógena, longe de ser uma droga, é feita a partir da combinação de duas plantas (o cipó Jagube e a folha Rainha) e tem o poder de expandir a consciência do buscador espiritual.

Sem ter um livro sagrado como nas religiões tradicionais, o Daime tem na musicalidade de seus hinos as chaves para um melhor entendimento da vida e do mundo. Os hinos não são composições, mas canalizações de alguns adeptos da doutrina. Entoar os cânticos na força da Ayahuasca permite que a pessoa visualize toda a complexidade de si mesmo sem os filtros do ego.

Inicialmente, os hinos do Daime eram recebidos somente pelo marenhense Raimundo Irineu Serra, que fundou a doutrina nos anos 1930 no Acre. Trabalhador na extração da borracha, Mestre Irineu – como era conhecido -, pediu à Nossa Senhora da Conceição, que no panteão daimista é conhecida como “Rainha da Floresta”, que outras pessoas da comunidade também recebessem os hinos.

 

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EXPANSÃO

Na década de 1980, graças ao trabalho de Sebastião Mota, o “Padrinho Sebastião”, o daime saiu das florestas acreanas e ganhou o mundo. A primeira igreja daimista fora da floresta Amazônica foi o “Céu do Mar”, fundada no Rio de Janeiro em 1982.

Em Cuiabá, o daime chegou pelas mãos do físico Sérgio Nord, na década de 1990, que junto com alguns membros de sua família e amigos, fundou a Igreja Mestre Irineu, situada atrás do aeroporto de Várzea Grande.

SERVIÇO

Espetáculo: O Poder da Floresta

Data: 11/04/2021

Horário: 19h30

Local: Cine Teatro Cuiabá

Valor do Ingresso:  Entrada gratuita

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