18 de junho de 2021 - 22:00

Polícia

02/06/2021 07:20

Investigação indica que homicídio de idoso foi cometido para encobrir roubo e possível reconhecimento de criminoso

Polícia Civil cumpriu 13, dos 16 mandados judiciais contra alvos envolvidos no latrocínio de servidor aposentado de Chapada dos Guimarães 

A Polícia Civil cumpriu nesta terça-feira (01.06) treze, dos 16 mandados judiciais expedidos contra um grupo criminoso envolvido no roubo e homicídio praticados contra o aposentado Nicomedes Francisco Pinto Lopes, 69 anos, encontrado morto no dia 25 de março, em Cuiabá. Três dos alvos da Operação Omertá, deflagrada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá, estão foragidos.

A operação teve como alvos seis homens e duas mulheres identificadas nas investigações realizadas pela Polícia Civil como envolvidos no crime que vitimou o aposentado. As ordens judiciais foram expedidas pelo juízo da 6ª Vara Criminal de Cuiabá.

O grupo responderá pelos crimes de roubo majorado (com restrição de liberdade da vítima, uso de arma de fogo e concurso de pessoas), além do homídio doloso.

Os detalhes da operação e da investigação foram repassados à imprensa nesta terça-feira, durante coletiva com a presença dos delegados Guilherme de Carvalho Bertoli, titular da Derf Cuiabá; Wagner Bassi, regional de Cuiabá e o diretor Metropolitano, Rodrigo Bastos. 

Início da investigação 

O delegado titular da Derf explicou que investigação teve início a partir da detenção de dois casais, logo após o corpo de Nicomedes ser encontrado. Com um dos casais, no bairro Jardim União, em Cuiabá, foram encontrados um telefone modelo Iphone 8 e uma televisão de 50 polegadas que pertenciam à vítima. Já o outro casal foi identificado pela Polícia Civil como o destinatário das transferências de valores feitas da conta da vítima. Os suspeitos confessaram ter recebido R$ 4,9 mil a mando de um grupo criminoso envolvido no crime.

O crime foi inicialmente investigado pela Delegacia de Chapada dos Guimarães, onde o aposentado morava. Com os elementos probatórios reunidos no curso do inquérito, o delegado Alexandre Nazareth representou à Justiça pela prisão dos suspeitos identificados. Contudo, o juízo da Comarca do município declinou da competência entendendo que o crime, então tratado como roubo seguido de morte, ocorreu no município de Cuiabá, e remeteu o caso para a Capital. A Delegacia de Roubos e Furtos deu sequência ao inquérito instaurado. 

Além dos dois casais detidos por receptação e associação criminosa no início da apuração realizada com a colaboração da Gerência de Combate ao Crime Organizado, quando o desaparecimento do idoso era tratado como extorsão e sequestro, mais quatro pessoas foram identificadas nas investigações como os idealizadores e executores do crime. Um deles teve o mandado de prisão cumprido nesta terça-feira na Penitenciária Central do Estado, onde responde por outro delito.

“Com as prisões, serão realizados novos interrogatórios para individualizar a conduta de cada um dos envolvidos na ação criminosa”, destacou Bertoli.

Roubo e execução

O aposentado desapareceu no dia 21 de março, da casa onde morava em Chapada dos Guimarães, e seu corpo foi localizado quatro dias depois às margens da rodovia Helder Cândia, com marcas de disparos de arma de fogo na cabeça.

A partir da comunicação do desaparecimento dele por seus filhos, a Delegacia de Chapada dos Guimarães iniciou a apuração, tratada até então como sequestro e extorsão, quando houve o apoio da GCCO, que prendeu dois casais por receptação e associação criminosa.

Um dos filhos de Nicomedes procurou a Polícia Civil e informou sobre uma transferência da conta bancária de seu pai, por meio de PIX, no valor R$ 4,9 mil, para a conta de uma mulher. Estranhando a transação, o filho entrou em contato com o pai pelo Whatsapp, porém, a mensagem foi visualizada e não foi respondida. Ele então tentou telefonou para a vítima, mas não conseguiu contato. Desconfiado, o filho foi até a casa do pai e ao chegar viu que a residência estava trancada e o cachorro amarrado, o que não era costume. O veículo da vítima, um modelo Jeep Renegade, também não estava na casa e foi encontrada uma escada encostada ao muro, onde havia pegadas de botas.

No dia 22 de março, a Polícia Civil identificou que os criminosos fizeram compras com os cartões da vítima, algumas em valores altos totalizando R$ 8 mil em duas transações e outras compras menores realizadas em cartão de débito.

Durante a investigação, a Delegacia de Chapada dos Guimarães solicitou apoio da GCCO por haver a suspeita de um possível sequestro. A partir da localização do corpo, a investigação tomou outro viés e a equipe policial conseguiu reunir informações que levaram à identificação dos envolvidos, cujos mandados de prisão foram representados à Justiça.

O carro da vítima foi encontrado abandonado, pela Polícia Militar, no bairro Jardim Vitória, na Capital. Nas diligências, os policiais civis identificaram ainda os dois casais que teriam recebidos as transferências e com quem foram localizados pertences da vítima.

A Polícia Civil apurou que durante a execução do crime, um dos criminosos citou seu nome a um comparsa e, por conhecer a vítima, ele ficou com medo de ser reconhecido, quando então decidiram praticar o homicídio para ocultar e garantir desta forma, a impunidade pelo roubo cometido, remetendo ao nome da operação, um código de silêncio típico das máfias italianas, em que os criminosos se protegem com voto de silêncio em relação aos crimes cometidos.

“Esse criminoso era morador de Chapada dos Guimarães e já havia prestado serviço de pedreiro para a vítima e pelo comparsa ter falado seu nome, ele ficou com medo de ser reconhecido pela vítima”, explicou o titular da Derf de Cuiabá.

O delegado detalha ainda que os criminosos tentaram fazer transações de valores mais elevados da conta da vítima, contudo, foram bloqueadas pelo filho que ajudava a gerir a vida financeira do pai, a partir do momento em que foram detectados as primeiras transferências.

Continuidade das investigações

Guilherme Bertoli explicou ainda que todo o material coletado nas buscas e apreensões serão analisados, junto com os depoimentos dos envolvidos para se chegar às autorias e responsabilidades, além de outras informações necessárias para esclarecer toda a dinâmica do crime. “Não se tem ao certo ainda onde foi a execução e se o corpo da vítima foi desovado no local onde foi encontrado. Essas informações serão confirmadas com a conclusão das perícias”, esclareceu.

O delegado da DERF de Cuiabá acrescentou que há uma prova testemunhal de quem fez os disparos, mas a continuidade das investigações indicará a responsabilidade dos envolvidos diretamente no roubo e na execução do homicídio.

Um dos alvos da Operação Omertá foi preso anteriormente por roubos cometidos na cidade de Chapada dos Guimarães.

Operação

Omertà é um termo da língua napolitana que define um código de honra de organizações mafiosas do sul da Itália. Fundamenta-se em um forte sentido de família e voto de silêncio, seja em direta relação pessoal em atos criminosos, como quando os fatos envolvem terceiros.

Os mandados da operação foram cumpridos pela DERF de Cuiabá com apoio da Delegacia de Chapada dos Guimarães e do Ciopaer.


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