Polícia investiga com prioridade assassinato de casal em São Vicente

Polícia Assassinato 23/07/2026 15:10 Matheus Crobelatti - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

As mulheres estavam desaparecidas desde o dia 9 de julho. Os corpos foram encontrados enterrados em uma área de mata. A polícia investiga o caso como crime de ódio com possível motivação misógina e lesbofóbica.

A polícia investiga o assassinato de duas mulheres negras e LGBTQ+ da cidade de Praia Grande, no litoral paulista. O caso está sob sigilo na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade.

  • Ieda Simplício, 62 anos, e Fabiana Nogueira, 47 anos, estavam desaparecidas desde 9 de julho.
  • Os corpos foram encontrados no sábado (20), no bairro Samaritá, em São Vicente.
  • A polícia já pediu exames periciais e necroscópicos para ajudar nas investigações.
  • Deputada Erika Hilton acionou o Ministério Público de São Paulo por suspeita de crime de ódio.
  • A Liga Brasileira de Lésbicas cobra que o caso seja tratado como feminicídio e lesbofobia.

O casal foi encontrado sem vida na tarde do último sábado (20), no bairro Samaritá, em São Vicente. Elas estavam desaparecidas desde 9 de julho.

A Polícia Civil informou que investiga o caso com prioridade pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). A autoridade já requisitou exames periciais e necroscópicos para prosseguir com a apuração. As diligências continuam para esclarecer os fatos e identificar os autores do crime.

Reações e cobranças

Por causa do crime de ódio, com possível motivo misógino e lesbofóbico, várias entidades e representantes da comunidade LGBTQ+ se manifestaram nas redes sociais. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) disse no X que acionou o Ministério Público de São Paulo.

A deputada também destacou a brutalidade do crime e cobrou que os culpados sejam identificados. "Um casal de duas mulheres negras que estava prestes a se casar, ambas foram encontradas mortas em Praia Grande em condições estarrecedoras", escreveu Erika. "Seus corpos foram descobertos enterrados em uma área de mata nove dias após desaparecerem em São Vicente. Junto com os corpos, foi encontrado também um crânio humano não identificado. É urgente que o poder público investigue, descubra, julgue e prenda os culpados por esse crime bárbaro."

A fundadora do Instituto Marielle Franco e ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lembrou o aumento de casos de feminicídio no Brasil. Ela também escreveu no X: "O Brasil continua sendo um país onde mulheres são assassinadas todos os dias. E quando essas mulheres são lésbicas, o silêncio e a invisibilidade também fazem parte da violência. Fabiana e Ieda não podem ser apenas mais um caso. Este crime de lesbofobia precisa ser investigado com seriedade, porque combater crimes de ódio também é responsabilidade do Estado. Justiça não pode ser seletiva."

A Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais publicou um memorial do casal no Instagram. A fundação, que existe desde 2003, apontou a importância de tratar o caso como feminicídio e lesbofobia. "Quando crimes contra mulheres lésbicas-sapatão são tratados apenas como homicídios, perde-se a chance de entender as motivações da violência e construir políticas públicas para enfrentá-la. Quando denunciamos a morte de mulheres lésbicas-sapatão, afirmamos que este não é mais um caso isolado", publicaram.

Outra questão levantada por usuários foi a falta de repercussão do caso na mídia. Diversos perfis argumentam que crimes de lesbofobia não recebem a devida atenção na imprensa.