20 de julho de 2024 - 11:55

Política

A empresários de Brasil e Bolívia, Lula diz que países exportarão sustentabilidade

Em Santa Cruz de La Sierra, em evento empresarial, Lula exalta resistência aos golpes no Brasil e na Bolívia e alerta para importância do estado de direito para economia funcionar

Em visita oficial à Bolívia, nesta terça-feira (9/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sem estabilidade política e jurídica não há desenvolvimento social e econômico. Em discurso durante fórum com empresários do Brasil e da Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra, Lula disse que a tentativa de golpe sofrida há poucos dias pelo país vizinho demanda uma reflexão sobre a democracia.

"O setor produtivo tem plena consciência da importância do estado de direito para o bom funcionamento da economia", disse. "Assim como a pobreza e as desigualdades estão na origem de instabilidades de toda ordem. Os empresários sabem que podem ser tão vítimas das arbitrariedades de um regime autoritário quanto os trabalhadores", acrescentou.

Segundo Lula, ele e o presidente da Bolívia, Luis Arce, querem que as indústrias dos dois países se desenvolvam, para que não vendam apenas produtos primários. E destacou que a energia renovável é fundamental para a neoindustrialização e o Brasil e a Bolívia têm recursos energéticos e minerais abundantes.

"Investir em energia solar, eólica, hidrelétrica é imperativo da transição energética e uma grande oportunidade para criar empregos de qualidade para nossos jovens", afirmou Lula, ao ressaltar o potencial brasileiro e boliviano de produzir energia limpa e de liderar a transição energética na região.

Ele afirmou que "não é preciso buscar uma caldeira ou um trator na China, quando há opções no âmbito do Mercosul". E que o bloco deve se converter em plataforma para os mercados mundiais de minerais estratégicos e componentes de alta tecnologia. "Queremos agregar valor ao lítio e a outros minerais críticos aqui mesmo no coração da América do Sul (...) Como países amazônicos e membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) devemos alicerçar nossa visão de desenvolvimento sustentável na bioeconomia e na biotecnologia (...) Brasil e Bolívia devem exportar sustentabilidade."

Minha visita à Bolívia não seria completa sem um evento empresarial deste porte.

Em uma situação normal, eu iniciaria este discurso exaltando as oportunidades de comércio e investimentos entre nossos países.

Mas a tentativa de golpe sofrida há poucos dias pela Bolívia demanda uma reflexão sobre a democracia.

O setor produtivo tem plena consciência da importância do estado de direito para o bom funcionamento da economia.

A resiliência das instituições nacionais frente ao 26 de junho na Bolívia e ao 8 de janeiro no Brasil demonstra que não há margem para retrocessos.

Sem estabilidade política e jurídica não há desenvolvimento social e econômico.

Assim como a pobreza e as desigualdades estão na origem de instabilidades de toda ordem.

Os empresários sabem que podem ser tão vítimas das arbitrariedades de um regime autoritário quanto os trabalhadores.

Nossos países são a prova de que é possível crescer com distribuição de renda sem abrir mão de direitos.

A Bolívia quintuplicou seu PIB entre 2005 e 2023. E a renda per capita quase quadruplicou.

No caso do Brasil, na esteira da Constituição Cidadã de 1988, superamos os fantasmas da inflação e da dívida externa.

Reduzir déficit fiscal sem comprometer a capacidade de investimento público é um compromisso da minha gestão.  

Contrariando os pessimistas, o PIB do Brasil cresceu 2,5% nos últimos 12 meses.

O Programa de Aceleração do Crescimento prevê que serão investidos recursos da ordem de 320 bilhões de dólares, 75% dos quais até 2026.

A nova política industrial brasileira se propõe a aumentar a complementaridade com os vizinhos e adensar nossas cadeias produtivas.

O desenvolvimento de infraestruturas comuns é a base para um continente mais próspero e unido.

Investiremos na integração física por meio de rotas multimodais que cruzarão toda a América o Sul, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico.

Duas das cinco rotas previstas passarão pela Bolívia, incontornável por sua centralidade neste continente.

Até o final de meu mandato, quero concluir a principal, a rota rodoviária do Quadrante Rondon, que integra os estados do Acre, de Rondônia e do Mato Grosso, à Bolívia e ao Peru.

Quando a interconexão ferroviária entre Santa Cruz e Cochabamba for completada, as cargas que saem do porto de Santos poderão chegar diretamente ao Pacífico.

A conclusão desses corredores permitirá uma economia de, no mínimo, mil dólares para cada contêiner brasileiro exportado para a Ásia, bem como a redução no tempo de transporte de mercadorias em, pelo menos, quinze dias.

A Ponte sobre o rio Mamoré, um compromisso histórico do Brasil, finalmente vai sair do papel.

Temos em curso estudos que também permitirão o acesso da Bolívia ao Atlântico por meio de hidrovias na bacia Amazônica e na Bacia do Paraguai-Paraná.

O gasoduto Brasil – Bolívia é um patrimônio estratégico que pode ser aproveitado para transportar gás do campo de Vaca Muerta, na Argentina, até o Brasil, suprindo demanda da indústria nacional.

Também poderá contribuir para abastecer as plantas para produção de fertilizantes que queremos construir no Mato Grosso e aqui em Santa Cruz de la Sierra.

Nosso importante comércio bilateral pode crescer ainda mais e se diversificar com a integração física e energética do continente. 

Em 2023, a corrente de comércio alcançou 3,3 bilhões de dólares. O Brasil foi o segundo maior fornecedor da Bolívia e o maior destino de suas exportações.

Essas cifras serão ainda maiores com a adesão da Bolívia ao MERCOSUL, ratificada ontem na Cúpula de Assunção.

Com sua entrada no Sistema de Pagamentos em Moeda Local, reduziremos a dependência do dólar e os custos de transação nas operações de câmbio entre os nossos países.

Essa é uma medida de grande utilidade, sobretudo para pequenas e médias empresas do nosso continente.

Na área de produtos agrícolas, nossas trocas ainda estão aquém de seu potencial. Com práticas sustentáveis, podemos garantir a segurança alimentar e promover o desenvolvimento rural dos dois lados da fronteira.

Além de fornecer material genético, rações e tecnologias de manejo, o Brasil tem interesse em avançar no diálogo sobre a certificação sanitária para exportação de proteína animal.

E temos muito o que aprender com a experiência boliviana de extrativismo, beneficiamento e comercialização de castanha, como ficou evidente com a realização, ontem, do Fórum Bilateral, com a participação de empresas dos dois países e da EMBRAPA.

Articular a promoção conjunta da castanha no mercado internacional é só um exemplo do muito que podemos fazer juntos.

O Presidente Arce e eu queremos que as indústrias da Bolívia e do Brasil se desenvolvam, para que não fiquemos vendendo apenas produtos primários. 

A energia renovável é fundamental para a neoindustrialização.

Bolívia e Brasil são abençoados com recursos energéticos e minerais abundantes.

Investir em energia solar, eólica, hidrelétrica é imperativo da transição energética e uma grande oportunidade para criar empregos de qualidade para nossos jovens.

O Brasil optou pelos biocombustíveis há quarenta anos, muito antes que a discussão sobre alternativas a combustíveis fósseis ganhasse atenção.

A tecnologia e a experiência brasileira nessa área podem contribuir para acelerar a transição ecológica aqui.

Não falo apenas sobre o aumento da demanda boliviana por etanol em função da recente atualização no percentual permitido para mistura na gasolina, que passou de 12% para 25%.

O Brasil que contribuir para a modernização e ampliação das seis usinas de açúcar e etanol que existem na Bolívia, cinco delas aqui na região de Santa Cruz.

Também podemos exportar máquinas e implementos agrícolas adaptados à produção local.

Não é preciso buscar uma caldeira ou um trator na China, quando há opções no âmbito do MERCOSUL.

É urgente fazer do bloco uma plataforma para nossa participação nos mercados mundiais de minerais estratégicos e componentes de alta tecnologia.

Queremos agregar valor ao lítio e a outros minerais críticos aqui mesmo no coração da América do Sul.

Compartilhamos a maior floresta tropical do mundo, uma reserva de biodiversidade incomparável e fonte de conhecimento e tecnologias valiosas.

Como países amazônicos e membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) devemos alicerçar nossa visão de desenvolvimento sustentável na bioeconomia e na biotecnologia.

Fomentá-las pressupõe o uso adequado desses recursos, em harmonia com a natureza e com os povos da floresta, como pactuamos na Cúpula da Amazônia em agosto passado.

A batata, a quinoa, a chia, as castanhas da Amazônia, todos são produtos que os povos originários na Bolívia e no Brasil ajudaram a desenvolver ao longo de séculos e que ganharam o mundo.

Brasil e Bolívia devem exportar sustentabilidade!

Em Belém, na COP-30, vamos mostrar ao mundo todo o potencial de nossa região, ao aliar nossas riquezas naturais ao compromisso político, no mais alto nível, com metas ambiciosas de transição para economias de baixo carbono.

Nossa fronteira é a 8ª maior do mundo, com mais de 3.400 km de extensão, do Pantanal à Amazônia.

É preciso levar dignidade, bem-estar e emprego às populações fronteiriças.

Assinamos hoje um protocolo de intenções que permitirá que bolivianos e brasileiros usem os sistemas de saúde públicos nos dois países.

Retomamos todos os mecanismos bilaterais para combate ao crime transnacional.

Vamos garantir que brasileiros e bolivianos possam conviver nas nossas fronteiras livres da violência e da ameaça do crime organizado.

Senhoras e senhores,

A participação numerosa de empresários e empresárias que vejo aqui é a expressão do empreendedorismo latino-americano, da força da integração regional, e do potencial econômico-comercial de nossos países.

O sucesso do encontro confirma que o setor privado está plenamente engajado nesse projeto de desenvolvimento.

Peço aos líderes empresariais aqui presentes que busquem conhecer e aproveitar oportunidades na Bolívia e no Brasil.

Vamos aproveitá-las, superar os desafios e construir um futuro do qual nossos filhos e netos se orgulharão.

Muito obrigado.

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