TSE reforça que empresa venezuelana não forneceu urnas ao Brasil

Política Eleições 22/07/2026 15:11 Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou que a empresa venezuelana Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou softwares para as eleições brasileiras. A declaração foi feita após o pré-candidato à presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, divulgar uma informação falsa durante um evento.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou, nesta terça-feira (22), que a empresa venezuelana Smartmatic não forneceu urnas eletrônicas ou softwares para as eleições brasileiras.

O caso ganhou destaque depois que o pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), senador Flávio Bolsonaro, divulgou uma informação falsa sobre as urnas. Ele afirmou, durante um evento na segunda-feira (21), que os equipamentos brasileiros seriam da Smartmatic, sem apresentar provas.

  • O TSE já desmentiu essa informação falsa desde 2017, em um comunicado oficial.
  • As urnas brasileiras são projetadas por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral.
  • Elas são fabricadas por empresas escolhidas em licitações públicas, com ampla concorrência.
  • A Smartmatic só teve contratos com o TSE para serviços de conexão de dados e voz, não para urnas.
  • A empresa perdeu a licitação para fabricar urnas em 2020 para a empresa Positivo.

O TSE usou a página 'Fato ou Boato' para desmentir a notícia falsa, destacando que a empresa Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas para o Brasil. O tribunal também afirmou que as urnas brasileiras são produzidas com segurança e transparência.

Em um comunicado, o TSE destacou que a empresa venezuelana Smartmatic só teve contratos com o tribunal para serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação das urnas eletrônicas. Além disso, a empresa participou da licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu para a Positivo.

Fake news antiga

Em um encontro com diplomatas, Flávio Bolsonaro disse que parte das urnas eletrônicas no Brasil seriam da empresa venezuelana Smartmatic. A fala ocorreu durante o evento Debating Brazil, promovido pelo The Brazilian Report e pela Novo Selo Comunicação.

O senador afirmou: 'Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa [da Venezuela, a Smartmatic]'.

Durante o pronunciamento, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado que envolveu uma campanha de desinformação contra as urnas eletrônicas, citou um documento da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos.

O documento da CIA, desclassificado recentemente, faz uma análise sobre denúncias de fraudes nas eleições venezuelanas, citando a empresa Smartmatic. Porém, o relatório da CIA não concluiu que houve fraude na Venezuela entre 2004 e 2020.

O documento diz: '[A comunidade de inteligência dos EUA] não confirmou de forma definitiva a execução bem-sucedida de fraudes eletrônicas em larga escala em eleições venezuelanas específicas, mantendo-se as avaliações fundamentais da CIA de que outros fatores explicavam melhor os resultados eleitorais'.

Flávio usou esse documento para associar a empresa Smartmatic, da Venezuela, às urnas brasileiras, informação já refutada pelo TSE desde 2017.

A fala do pré-candidato gerou críticas de adversários e especialistas, que enxergam uma repetição da estratégia do pai, Jair Bolsonaro, para atacar o sistema eleitoral do país.

Outro lado

Em nota, a coordenação da campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro afirmou que 'não é verdade' que ele tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Porém, o comunicado não comenta sobre a informação falsa divulgada por Flávio Bolsonaro relacionada às urnas brasileiras.

A nota diz: 'Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas'.

Assinada também por Flávio Bolsonaro, a nota acrescenta que o pré-candidato 'afirma expressamente que não está questionando o sistema de votação brasileiro' e exorta os diplomatas a enviarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional.

O comunicado conclui que, 'afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições'.